A eles o meu respeito

Hoje é dia. Por volta das nove e meia espero no ponto, defronte a Santa Casa, a hora de o coletivo passar.

E ele passa pontualmente. Uma pequena aglomeração de pessoas já está prestes a embarcar.

Estudantes da universidade, velhos como eu, pessoas trazendo sacolas nas dobras dos braços, da mesma maneira esperam pacienciosamente a hora do coletivo passar.

Nem é preciso dar o sinal do dedo. O motorista estaciona alguns segundos apenas. A conta de embarcarmos naquela lotação. É gente que para no ponto do jardim. E outros continuavam a viagem a outro ponto da cidade.

E como aprecio andar de ônibus circular. De vez em quando levo meu primeiro neto a viajar comigo. E aquele garoto esperto adora, como seu avô, passar pela roleta, sem pagar passagem. Sendo considerado idoso tenho a prerrogativa dos mais de sessenta e cinco anos de me deslocar graciosamente. Basta exibir aquela carteirinha feita na hora. Onde se mostra a fotografia de dois idosos na parte superior. Além da minha foto feita na hora da encomenda. Junto à palavra sênior. Na parte inferior se mostra a inscrição Autotrans. A empresa responsável pelo transporte coletivo na minha cidade do coração.

A viagem dura poucos minutos. Assentado a um banco qualquer admiro o profissionalismo dos motoristas. E como eles são atenciosos para com a gente. E comum observar deficientes usarem aquele meio de transporte que percorre a cidade inteira. Eles fazem às vezes de cobradores. Com uma mão grudada ao volante. Com os olhos atentos ao trânsito pesado, principalmente na hora do rush, eles fazem as contas, devolvem o troco, sem pôr em risco as nossas vidas.

Ontem mesmo viajei com um deles. Foi a vez do simpático Luiz. Já o conheço de longa data. Ele dirige com a mesma capacidade com que uso as minhas pernas andejas.

Antes do meu ponto final, assim que a lotação parou, o competente motorista saltou junto comigo. Estranhei-lhe a atitude. Ele mostrava sinais de cansaço. Também, naquela tarefa de muita responsabilidade quem não se estressa depois de uma jornada de trabalho exaustiva?

Luiz, educadamente pediu-me que o ajudasse. Na volta daquela unidade de saúde na zona norte da cidade que, por favor, trouxesse a receita de um fármaco que ele usava para controlar a sua ansiedade. Fi-lo sem pestanejar.

Na volta observei o ônibus estacionado no mesmo ponto onde sempre espero para voltar a casa. Prescrevi-lhe a receita. Mesmo com o ônibus em movimento. E ele, assim que apeei, defronte a mesma Santa Casa, agradeceu-me a gentileza. Gentileza gera gentileza.

Hoje mesmo, na parte da manhã, vou tomar o mesmo coletivo. Depois de alguns minutos de percurso chego ao ponto final. Graças a fidalguia e competência dos motoristas da Autotrans. Entre eles cito do Chumbinho, o Luiz, e tantos outros. Que trafegam pelas nossas ruas e avenidas distribuindo simpatia genuína.

Sem eles não seria possível me deslocar pela cidade.

A eles o meu respeito e agradecimento. Vocês são verdadeiros exemplos de cidadãos prestantes. Não sei o quanto percebem de salário. Deve ser pouco. Muito menos do que merecem. Recebam, neste pequeno texto, meus sinceros agradecimentos. Vocês são verdadeiros heróis. Que por vezes recebem reclamações indevidas. Faz parte de nossa vida. Não se consegue agradar a todos.

Bom dia a vocês, motoristas da Autotrans. Vou estar com vocês de agora a algumas horas apenas. E como é bom ser considerado um amigo.

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