Para mesurar coisas e loisas tenho dois pesos e medidas.
A altura de um homem de peso, do ponto de vista moral, de baixa estatura e larga envergadura de ética, pode ser de muitos centímetros na fita métrica. No entanto, quando se quer entender no quesito da qualidade como indivíduo, o homem de peso obeso é também pesado no critério de ser humano.
Por todas essas assertivas acima considero o peso de cada coisa um capítulo à parte neste texto que agorinha mesmo me passou pelos neurônios. Que não tem como medi-los em quilos, ou frações de quilogramas, e sim em capacidade de armazenar inteligência humana.
Por falar em inteligência humana como seria possível avaliar em quantos quilates cada um de nós tem a sua?
Bem sei que sobrenadam na natureza vários tipos de ligeireza de raciocínio.
Uns os têm guardados num embornal surrado. Já outros usam e abusam do seu tirocínio.
Eis aqueles que têm a inteligência guardada e manifesta em todos os setores da atividade humana, que foi classificada por Howard Gardner em: linguística, lógica, motora, espacial, musical, interpessoal e intrapessoal. Esta é a classificação clássica, usada nos testes de QI.
Creio, dentro a imodéstia que me norteia os rumos desnorteados, que dentro de mim habita a tal da inteligência linguística, faculdade que oferece destreza aos dedos todos das minhas mãos. Ao escrever tanto, com tanta peralticidade, que por vezes duvido da minha capacidade de entender o que deixo borrado no papel.
Hoje mesmo, bem cedo, mês de agosto agonizando, ao descer a rua usando as pernas como sempre faço, levando naquela pasta preta urubuzenta, aboletada em volta do pescoço gasto, onde sempre moram livros, por vezes contas a pagar, nem sei se ambos se suportam, ou se estranham, ao passar perto do portão de um colégio do Estado, onde por vezes adentro, não como estudante que fui, e sim para dar um recadinho às pessoinhas risonhas preparando-se para um futuro incerto, observei, olhos atentos, um jovenzinho inquirir a mãe: “Mãe! Por que livros não deveriam pesar tanto”?
Dentro da minha pasta estava a boneca, não aquela que usam para brincar as meninas, e sim o rascunho do livro novo prestes a brotar da maternidade da gráfica, com o título sonoro, um tanto caipira: “Mugido de vaca e cheiro de curral”.
Antes que a adorável criança inquiridora recebesse de volta a resposta à sua indagação infantil, respondi, de bate – pronto: “Livros não pesam tanto pois são um amontoado de sonhos”.
Não sei qual a conclusão dos dois. Tanto da mãe, quanto do filho.
Mas, depois de chegar onde estou, escrevinhando com tanta tenacidade, vendo a boneca do livro descansar sobre a minha mesa de médico, de novo a tenho entre os dedos.
Em verdade um livro pesa um bocado. São tantas e tantas letras, um enovelado de palavras, um montão de idéias estapafúrdias, um tantão de sonhos sonhados, que se fosse pesar o peso de um livro, nenhuma balança, por mais iletrada que fosse, ousaria dar nome às letras. Muito menos enumerar palavras…