Quando a gente põe em prática um projeto.
Deixando a prancheta de um arquiteto.
Depois de cálculos complexos. E o nosso esboço terminasse dando começo à obra já nos alicerces.
Ainda no começo.
Não falo de nenhum edifício magnifico. Ou de uma casa suntuosa.
E sim de um sonho feito quase realidade.
Após nos empenharmos tanto. Gastarmos quantias além de nossas posses. Nestes tempos difíceis por que atravessamos. E já duram anos tantos atropelos.
Quando a gente pensa que enfim chegamos aos the ends. Quando afinal imaginamos apenas ter prazer e descanso naquela local paradisíaco. Tendo a natureza em festa como cúmplice.
Uma vez em lá chegando nos depararmos com mil e uma infinidade de coisas a serem acertadas. Um senão aqui. Outro acolá. Uma cerca a ser mudada. Um pasto a ser carpido. A água de um poço semi artesiano que não chega onde pretendemos. E somente abastece a casa e o curral de uma pessoa a qual considerávamos amigo. Nossos equinos famintos e encarrapatados. Carecendo ser melhor cuidados. Nossos amados cãezinhos abanando os rabinhos de tanta saudade. E a eles livramos de seu canil recém remodelado. E eles escapam de tão contentes que fazem extravagâncias como se fossem crianças serelepes. E nós, maravilhados com tanta beleza e tanta coisa a ser mudada. Não temos tempo a um descanso pra lá de merecido. Com esta enxurrada de problemas que nos afligem. E quase largamos tudo pro alto. E deixamos nosso paraíso inacabado acabrunhados e infelizes.
Valeu a pena tanto esforço e desprendimento? Tanta grana ali enterrada? Tanto suor e lágrimas derramadas?
Ah! Se o paraíso. Que pra mim tem o mesmo sentido de felicidade. Ambos não existem por completo. Ora falta a porca sem o devido parafuso. Ora são os dedos das mãos sem a luva protetora na hora devida. Afanam-se os anéis e ficam os dedos.
Se o paraíso e a felicidade fossem apenas feitos de bichos, flores, e o verde da natureza. Como seria maravilhoso.
Se apenas plantas com seu verdume impar fossem partes indissolúveis de nós. E não tivéssemos a obrigatoriedade de ter gente como a gente no entorno envolvendo-nos com sua inveja, maldade e intolerância.
E como seria bom nos cercamos de apenas e tão somente cães como meus dois filhotes- Clo e Robson. Que, uma vez libertos do seu canil agem como crianças peraltas. Como meus três netinhos Theo, Dom e Gael. E como os seis são amistosos, puros e devotados amiguinhos.
E mais uma vez desalentado com meu paraíso inacabado. A cada vez de lá retorno. Passa-me pelo pensamento. Como seria bom se a vida da gente fosse apenas feita desses componentes: ar, brisa, vento leve, chuva mansa, cães, bichos, flores, grama verde, e seres não pensantes. Como eu…