“Às vezes sou também
Um sim alegre
Um triste não
E troco minha vida por um dia de ilusão”.
(Maria Guinot)
Metade de mim é só alegria. A outra metade só tristeza e sofrimento.
Metade do que sou exemplifica simpatia. A outra apenas mostra antítese do que esta palavra simpática enseja.
Metade de minha pessoa quer dizer ilusão. Mas a outra versão minha mostra apenas e tão somente desilusão.
Metade do que pretendo ser vai com alguém que não desejo ser. Já a outra segunda parte do meu ser pretende crescer além das nuvens cinzentas que ameaçam chover.
Metade do meu corpo se escreve amor. Já a outra metade é puro rancor.
Metade do que sou devo aos meus pais. A outra metade não me pertence mais.
Metade de mim assina Rodarte. Já meu outro sobrenome se mostra Abreu.
Metade do meu eu não cabe entre esta serra a qual chamam de Bocaina.
Já a outra metade não se acerta cá dentro do meu novo eu.
Metade do que sou não sou como desejaria ser. A segunda metade não tem medidas exatas de quem sou eu.
Metade da metade da parte que me cabe neste latifúndio não se enquadra nesse meu pedaço de chão. A outra nem em qualquer coração.
Metade de mim. Por favor. Eu lhes suplico. Não me dividam com qualquer um.
Impeçam que me esquartejem. E me reduzam a um naco de mim próprio.
Já que penso ser nem mesmo a quarta parte do que seja. Infinitamente eu. Simplesmente sou assim.
Uma parte. Metade da metade. Da quarta parte do que me cabe.
Deste emaranhado profundo. Das profundezas abissais.
Deste profundo latifúndio da minha pequenez ínfima do que penso ser de minha metade do que sou. Imensamente escondido dentro da metade de mim.