Adoráveis insanos

Ah! Se a louquice fosse assim.

Ter de acordar em plena madrugada. Dormir não mais que o necessário.

Pôr-se de pé num átimo. Ir ao banheiro sem se olhar no espelho. Nem ligar para o desalinho dos cabelos. Se estão escovados ou despenteados. Escovar os dentes com creme de barbear sem se lembrar que o dentifrício foi feito nessa intenção. Assentar-se ao vaso de orquídeas quando deveria ser outro tipo de vaso. E não ligar para o que falam às suas costas. Que falem de mim que sou louco. Embora muitos tidos insanos façam parte das pessoas humanas. Com o coração transbordando de amor.

A ciência filosófica foi escrita por um tal de Erasmo de Roterdã. Ou como queiram de Rortedão. Ou como foi batizado Herasmus Guerritszoon. Teólogo e filósofo humanista neerlandês. Nascido em 28 de outubro de 1466. Em Roterdão, países baixos. E veio a falecer em 12 de julho de 1536 na Basileia, Suíça. Cidade do imortal e pena já aposentado o grande Roger Federer. Como ele jubilado o tênis praticamente perdeu um dos seus sóis.  A iluminar as quadrar de tênis do mundo inteiro com suas jogadas de gênio. E sua ilustre figura admirada não apenas pelos adversários assim como os amantes do esporte das raquetes e das bolinhas que voam com pássaros de um lado ao outro das quadras.

O grande filósofo humanista e pensador holandês defendia a possibilidade de chegar à perfeição por via do conhecimento.

A sua principal obra foi chamada Elogio da Loucura. Indubitavelmente uma obra prima. Publicada em 1511 e dedicada ao seu amigo Thomas More. Trata-se de um ensaio satírico em que o autor critica a igreja. Ao mesmo tempo em que defende a liberdade de pensamento. E ele cultuava a liberação da criatividade e da vontade do ser humano que entrava em choque ao pensamento escolástico. Segundo o qual tudo deveria seguir os pensamentos da igreja. Afrontando publicamente Lutero.

E mais uma vez professo a minha crença sobre os limites tênues entre a sanidade e louquice.

Quando uma pessoa é considerada louca ou genial? Muitos confundem um ao outro.

Exemplos pululam na literatura mundial.

O grande Leonardo da Vinci era um destes exemplos maiores.  Ele era um polímata nascido na atual Itália. Uma das figuras mais importantes do Renascimento. Com amplo e reconhecido destaque não só com cientista. Matemático. Engenheiro. Inventor. Anatomista. Pintor. Tanto de paredes como de quadros magníficos. Tome-se como exemplo o teto da capela Sistina. Além de escultor, arquiteto, botânico, poeta e musicista. Quadros como Mona Lisa e a Última Ceia são considerados as suas mais relevantes obras primas.

Seria Leonardo considerado genial ou um cadinho insano? A sua época talvez tenha sido jogado num sanatório para doentes mentais.

E Albert Einstein? Com sua cara de louco. Cabelos em desalinho com a língua de fora em um dos seus retratos. Um físico teórico alemão. Que desenvolveu a teoria da relatividade geral. Um dos pilares da física moderna ao lado da mecânica quântica. Segundo consta nas boas e línguas ferinas seu QI situava-se entre 160 e 180. Isso talvez não o colocasse entre os gênios. Segundo dizem os entendidos William James Sidis teria sido o dono de um dos quocientes intelectuais maiores do que se tem notícia. Em torno de 250 e 300.

Seria ele. Um dos dois supra citados. Insanos ou geniais?

Ah! Se a loucura fosse isso.

Não se lixar se a água dos rios escorresse para o mar ou por cima das montanhas.

Se a gente saísse às ruas sem roupa ou vestindo um grosso capote em dias de forte mormaço calorento?

Se, por acaso de um descaso um de nós nos apetecesse gostar de comer titica de cachorro ao revés de uma boa feijoada num dia frio de inverno.

E ainda lhes indago: se ser considerado louco é todo aquele. Que a meu exemplo. Tenho pela noite verdadeira aversão. Eu não tenho medo de confessar que temo a escuridão da noite. Temo não acordar ao novo dia. De não poder ver o clarume do sol ou a chuva cair. De não voltar a ver aqueles meus netinhos bulirem comigo. Dizerem vovô- “eu te amo”.

Se este sistema de vida é considerado insanidade que me digam o contrário. E me contradigam se pensarem que estou a um passo da insanidade completa.

Se estar a um passo da louquice total é retratar o cotidiano. Duas ou três vezes ao dia. Ter sempre dois computadores ao meu dispor. Um defronte ao outro. Este, no qual teclo suas teclas negras e de letras e números brancos. É onde escrevo crônicas. Já o outro. À minha mão direita. Um Toshiba negro. Já bem fora de moda. É o que suporta as minhas ficções românticas. Histórias por mim criadas tendo como musas personagens do dia após dia. Meu romance intitulado Rakel está no seu meio. Espero terminá-lo antes que o ano acabe. Ou eu acabarei antes do seu desfecho. Espero que não.

Se for considerado louco, por favor, não me ateiem fogo. Jamais usem meus livros como combustível para que o fogo se espalhe. E, caso me considerarem louco. Como aconteceu às bruxas do passado. Deixem-me avoar numa vassoura qualquer. Quem sabe assim conseguirei. Em algum lugar. Que seja no céu ou mais abaixo. Se é que exista o tal inferno. Quem sabe eu consiga ganhar o prêmio Jabuti. Se ainda nem fui lembrado a concorrer. Quem sabe em algum lugar. Distante de aqui. Eu consiga vender livros como se vendem pasteis. A conterrâneos ou não. Brasileiros ou brasileiras. Que entendam o quão é importante. Desde prematuramente. Ainda criança. Incutir nos pequeninos o costume de passarinhar os olhinhos num livro de historinhas infantis. Para, uma vez adultos se acostumem a ler. E, sonhando mais alto, algum destes meninozinhos, ou meninazinhas, se tornem escritores. Infelizmente profissão não valorizada em nosso país do carnaval e do futebol.

Ah! Mais uma vez questiono. Se insanidade for isso tudo. Escrever. Esculpir pedras ou gesso. Pintar paredes ou quadros. Tocar com maestria músicas dolentes. Ou compor versos que nos tocam o âmago ou o cerne. Ser poeta ou trovador. Dançarinos de forró ou de balé. Fazer piruetas em palcos iluminados ou não. Ou ser afeito a qualquer tipo de arte.

Se a isso tudo deve ser taxado de louquice louca. Pra mim. Que não sei poetar. Apenas cronicar ou romancear.

Um médico que. Depois que começou a escrever. Penso ter-me tornado não apenas um profissional melhor. Uma pessoa melhor.  Um doutor ainda não carcomido pelos carunchos. Ainda em forma. Não de uma bola redonda. E simplesmente um homem a frente do seu tempo. Como minha filhota Bárbara escreveu na sua observação pertinente na página primeira do meu último livro – Leia com meus olhos.

Estes todos irmãos em arte pra mim são adoráveis insanos.

 

 

 

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