Hoje acordei com uma sensação mágica de felicidade.
As festas natalinas transcorreram felizes e recheadas de coisas boas.
Natal é tempo de passar junto à família. Apesar de muitas delas passarem ao relento, sem teto, em áreas de risco, sujeitas as intempéries do clima.
Pelo noticiário percebo, de olhos atentos, a tantas tragédias acontecerem em nosso país. Pelo mundo afora não foge a regra.
Mortes, violência, crianças perdendo a vida por motivos banais. Quantos pais de família desempregados. Quantas crianças lastimando-se por não terem sequer um presentinho debaixo da árvore de Natal.
A alegria, a cumplicidade, o amor, felizmente tem feito parte da minha vida.
Tenho tudo e muito mais que desejo. Já ultrapassei os setenta anos. Ainda me sentindo como criança. Nada me tem faltado.
A clarividência ainda abunda dentro de mim. A saúde a tenho para dar e agraciar aos que não a possuem. E tudo tenho feito na minha profissão. Embora as limitações a que sou sujeito.
Hoje acordei no dia seguinte ao nascimento de Cristo. O sol brilha forte. Nenhuminha nuvem tapa a boca do sol.
Parece que as chuvas darão trégua. Até quando?
Neste dia, mais parece um feriado, quase entrada de um novo ano, o prédio está vazio.
Os colegas tiraram alguns dias para o merecido descanso. Parece que neste final de ano poucos trabalham.
Pensando justamente no dia de Natal, naquelas árvores lindas, naqueles presentes que os meninos receberam, foi que pensei em outros lares. Onde falta o necessário. Onde predomina o desamor. O desemprego, a falta de dinheiro, o mínimo para suprir as necessidades.
Nesta manhã ensolarada, neste verão que tem começo tenho pensado, que bom seria se todas as desigualdades fossem repartidas com a abundância que tenho percebido neste país que tanto amo.
Nada tenho a reclamar da vida. Sou feliz dentro da minha infelicidade. Quem não tem momentos de tristeza? Quem vive apenas sentindo dentro de si uma felicidade explícita?
Quem sabe um dia tudo vai mudar?
Não faltará uma mesa farta a todos que aqui vivem. Nem mesmo o fantasma do desemprego assolará os lares. A alegria será compartilhada por todos que aqui vivem. A violência desmedida será favas contadas. Apenas lembrada nos noticiários antigos.
Quem sabe um dia, num futuro perto, a saúde vai ser igual para todos. E não mais veremos filas imensas à porta dos hospitais. E os médicos, igualmente irmanados por aquele sentimento fraternal, atenderão a todos com a mesma disposição de sempre. Embora cansados pelo trabalho constante. Percebendo salários dignos, e não precisando se desdobrar em empregos vários.
Quem sabe um dia, tomara eu esteja aqui para constatar, que não se vejam mais pessoas esmolando à porta dos bancos, mãos estendidas, com olhos mortiços de onde exala o brilho opaco do vício.
Oxalá um dia, as desigualdades não nos ofendam tanto a dignidade. E o fosso social não seja tão aviltante.
Quem sabe um dia, que eu esteja aqui para comprovar, que todas as crianças tenham uma educação condizente. Que se tornem pessoas de bem. Pais de famílias exemplares.
Hoje, vinte e seis de dezembro, dia maravilhoso, semana que antecede o ano novo, que todos vocês, amigos, simpatizantes, leitores, que tenham todos uma ótima semana. E um ano novo melhor ainda. É o que desejo a vocês. De coração a larga.
Quem sabe um dia? Tomara não tarde tanto.