Aquele país insular situado no mar do Caribe compreende a terceira maior ilha das grandes Antilhas. Conforme diz a história os povos indígenas da ilha – tainus, chamavam-na de Xaymaca em aruaque (terra da madeira e da água), ou terra dos mananciais.
Foi possessão espanhola conhecida como Santiago. Em 1655 passou ao domínio do Reino Unido e é conhecida como Jamaica. O país conseguiu sua completa independência em seis de agosto de 1962. Hoje conta com 2 800 000 habitantes e é o terceiro país angiófono mais populoso das Américas depois dos Estados Unidos e do Canadá.
Kingston é a capital do país com cerca de um milhão de habitantes situada no extremo sul da ilha.
O país faz parte da comunidade britânica tendo a rainha Isabel como sua monarca e chefe de estado. O atual governador é Patrick Allen. Jamaica é uma monarquia constitucional parlamentar.
As principais cidades são: Kingston, na costa sul, Portresse, Spanish Town, Mandeville, Ocho Rios, Port Antônio, Negril e Mondego Bay.
Foi neste cenário paradisíaco que desembarquei, junto à família, levando inclusive meus três netinhos lindos, na sexta-feira próxima passada.
Foi uma viagem longa. Desde BH até a cidade do Panamá foram quase nove horas ininterruptas de voo. Da cidade do Panamá até o aeroporto da Jamaica mais hora e meia nos esperavam.
A primeira impressão daquela ilha caribenha foi de total desassombro. Para chegar ao maravilhoso resort foi preciso me esquivar de motoristas afoitos. Cada um dele pedia uma quantia que mal nos cabia no bolso. Em dólares norte americanos, bem dito.
A mão inglesa nos impressionou. Torna-se assaz complicado observar alguém dirigindo do lado oposto a que estamos acostumados. Parece que tudo está errado.
Em alguns minutos chegamos ao nosso destino final. O Riu Mondego Bay impressiona pela grandiosidade. Depois de alguns desacertos no que diz respeito às acomodações enfim nos sentimos a vontade. Theo, Gael e Dom pareciam estar em casa.
Também, com aquelas praias paradisíacas, com aquelas aguas tépidas e cristalinas, com aquelas piscinas de águas azuis, com aqueles bares onde nos oferecem drinques que agradam todos os gostos e preferências, quem não se sente no paraíso?
E os restaurantes? São um capítulo a parte para quem não tem medo de balança. São inúmeras as opções gastronômicas.
Mas, como todo turista curioso, gostaria de conhecer a verdadeira Jamaica. Não aquela que consta nos guias turísticos. Onde aquele povo hospitaleiro, que sempre nos recebe com um largo sorriso no rosto, tudo faz para que a gente se sinta à vontade.
Foi quando conheci uma cubana. Seu nome é Lina. Ou seria Lisa? Ou até mesmo Lia?
Era ela a encarregada de cuidar das crianças. Uma verdadeira hostess infantil.
E que sorriso lindo ela tinha. E com que alegria ela nos recebia quando chegávamos àquela piscininha onde nossos netos se esbaldavam, sob nossos olhares atentos.
Lia, numa de suas horas de folga, que eram poucas, um dia nos acompanhou a um shopping nas imediações do hotel. Foi então que fomos informados do regime de semiescravidão que os funcionários são submetidos naqueles ressortes magníficos. Seus direitos são exíguos. Suas obrigações extrapolam os limites do aceitável. E seus ganhos mal lhes permitem um vida digna.
Lia ama seu país. Pena que para lá, onde deixou um pedacinho dela, não pode voltar. Não tem como manter sua cria.
Neste país insular a maconha é oferecida em cada esquina. O cheiro adocicado de marijuana empesta-nos as narinas.
Durante uma viagem pela orla, sempre vislumbrando o mar, percebi, ao olhar pela janela da vã, o contraste marcante entre a opulência e a pobreza.
Barracos, casebres paupérrimos, feirinhas onde de vende quase tudo, nos fazem pensar no quando a miséria ainda campeia por aquelas paragens.
A maioria daquela população encantadora sobrevive do turismo. Dos hotéis magníficos. Do artesanato que fazem. Já que peixe quase não se vê por lá devido à salubridade da água. Quem quiser degustar de lagosta ou algum fruto do mar deve ir ao Nordeste brasileiro. Que nada deve ao estrangeiro. E ganha de goleada ao que se encontra do lado de lá.
Passamos alguns dias encantadores na Jamaica. Deixamos saudade daqueles locais de sorriso aberto.
Pena que existam duas Jamaicas dentro de uma só. A opulenta. A rica e a que é mostrada ao turista.
E a outra? Aquela que pudemos observar pela janela da vã?
Tomara um dia a coisa mude. Para que, quando voltarmos àquele pedaço de paraíso, possamos observar que a realidade mudou. Pra melhor, quiçá…