Deixou-nos escrito o grande Guimarães Rosa, no seu ilustre Grande sertão: veredas : “conto ao senhor o que sei e o senhor não sabe; mas principal quero contar é o que eu não sei se sei, e que pode ser que o senhor não saiba”.
Quem sou eu, na minha não ilustre pessoinha, um reles aprendiz de escrevinhador que nem sei curar a dor de outrem, nem ao menos atenuar meus próprios dissabores. Para cometer tamanhas atrocidades com essa nossa linda língua para os portugueses cultos a “última flor do Lácio inculta e bela.”
Um reles esculápio não lapidado como um diamante bruto a semelhança de uma pedra lascada da idade da pedra.
Na tentativa inglória de plagiar o grande autor de Grande Sertão: Veredas, mestre dos neologismos e eu mero discípulo aprendiz. Que tenho por mim uma máxima que diz e contradigo: “a vida deveria ser um eterno aprendizado.”
E eu, tentando fazer chover no molhado digo não pra outros ouvirem e terem como lição de vida: “aprendi quase tudo que podia nos bancos escolares. Tendo como professorinhas, em primeiro lugar minha mãezinha, na nossa casa. Na escola a saudosa dona Beliza. E, ainda viva e saudável a não menos querida dona Vandinha; creio no domingo pretérito assoprou mais uma de suas centenas de velinhas.
Eu não sei se teria coragem de dizer ao senhor, meu pai, que está no céu, junto a minha mãezinha dona Rute, que, no dia de sua morte começaria a escrever tanto.
Dói-me por dentro não ter o senhor aqui comigo em lançamentos de livros meus, tantos que deixei escritos. Não ter o prazer de ouvir seus aplausos, apupos, conselhos e rabiscos nos meus textos como meu tio Francisco Rodarte, tio Chico, costumava fazer à hora sagrada do almoço, quando ele, sonolento em seu leito, tomando sua cervejinha sem álcool, ali chegava a sua casa sem me anunciar e ele, meu mestre e por que não confessor, me dizia: “meu sobrinho, vai com calma nos seus escritos. Leia mais bons autores, se possível os clássicos da literatura e não se aventure a ser mais um escritor fracassado como tantos por aí”.
Em absoluto não tenho a pretensão, muito menos audácia de ser mais um João, não o do tênis que abandonou prematuramente o torneio em Cincinnati por sentir uma lesão num lugar qualquer de seu corpo inda imaturo. E sim outro de nome João, aquele seguido de Guimarães no segundo e terminado em Rosa.
Muito menos de me meter a ser mais um Olavo Bilac, autor de poemas inigualáveis como Via Láctea, Profissão de Fé e o não menos homérico Língua Portuguesa. Ou até mesmo um Machado que não nasceu em Assis, e sim no Rio de Janeiro em 21 de junho em 1839.
Longe disso.
Agora, me candidatar a algum cargo eletivo, se a vereador, prefeito, por mais imperfeito que seja. Deputado disputado pelos jovens, ganhando a confiança das crianças que infelizmente não votam. Dos adultos mesmo adúlteros que prevaricam em camas alheias. Tendo os senioneres do meu lado. Não dispenso as senhoras, se elas se encontram na despensa mesmo assim quero-as do meu lado, pra mim tanto faz se à direita ou a esquerda pois não sou petista muito menos artista.
Creio ser muito popular somente aqui na minha cidade. Não ainda nos arrabaldes.
Não somente como médico urologista não oportunista já que não pego carona na boleia de caminhões ou em carroças mambembes que levam latões de leite ao cume do morro quando chove muito e o barro faz atolar o caminhão leiteiro que custa subir a subida assoviando e tem de ser puxado por uma junta de bois parrudos.
Posso ter inclinação não inclinada para ser de tudo um cadinho: “médico especialista especializado em dedo enxerido invasor de regiões insalubres, pra muitos lugar de saída não de entrada. Escrevinhador consumido que não tem pelas noites em alta estima e pelas madrugadas uma paixão assumida não reprimida. Um atleta meio aposentado das corridas e das piscinas se a água for fria e não morna menos aquecida. Um fazendeiro que já foi tirador de leite branco não se sabe a razão de o tal leite ser branquinho e a vaca ser preta como anu de penas escuras. Um tenista que inda não aposentou a raquete, que já jogou em duplas com meu paizão e agora tenho por meu filho sonora admiração por ele ser professor desse nobre esporte. Infelizmente ou feliz de mim que minto dizendo ter vencido meu netinho Gael nas quadras e foi elezinho quem ganhou de mim”.
Avizinham-se as eleições. Pra muitos impotentes em fazer sexo, como o seu Juquinha troca letras, que um dia aqui esteve pra fazer uma consulta por um plano de saúde que desconheço qual o tal. Assim que ele pôs sua nádega ao assento defronte ao meu. Meio ressabiado não viado, um tanto preocupado com o que eu iria pensar e receitar. Ao revés de contar que ele não iria votar nas eleições pela idade provecta que se achava. Seu Juquinha trocou as letras. Queria dizer eleições e falou ereções, a verdadeira causa da sua consulta.
Se eu fosse candidato a qualquer coisinha não seria nenhuma dessas: prefeito nem sonhando. Edil (vereador), também não. Pois poderiam me confundir com idiota, coisa idiota que penso não ser. Deputado, morando em BH, por que não? Talvez fosse a solução a favor da dissolução do meu casamento, que já dura tantos anos… Quem sabe a governador? Da mesma forma não já que nem sei governar minha própria dor imagine desgovernar a dor daqueles que confiaram em mim? A deputado morando em Brasília? Também não, já que poderia ter a companhia insalubre e indigesta de outros políticos que só comparecem à sessões da câmara federal para fazerem arruaças e trapaças naquelas reuniões enfadonhas que nem com travesseiros enfronhados em macias fronhas e lençóis de seda sedosa eles e eu daremos conta de pagar a conta de nossos lautos banquetes. E se me candidatasse a presidente? Moraria sem moral, desmoralizado pelos nossos patrícios, num palácio requintado, numa choupana onde nem se pode beber um shopinho geladinho, juntinho a um pratinho de torresmo crocantezinho, ou num lago seco perdido no meio do nada?
Se porventura de uma aventura desventurada me lançasse candidato a qualquer cargo eletivo qual pra mim é pro cês seria o mais apropriado?
Senador, síndico do meu condomínio, se nem moro em nenhum, deputado federal ou aqui mesmo do nosso estado, à vereança essa lambança que aqui vemos, prefeito já disse não e não repito meu dito maldito, governador, que tal ser o tal concorrer ao palácio da perimetral aqui mesmo na nossa cidade( me perdoem, essa disputa à prefeitura não quero nem pra mim nem pro meu maior inimigo), ah sim….
Ainda bem que me lembrei nessa hora, inda madrugada desse dezoito de agosto inda escuro.
Não serei candidato a nadinha disso tudo,
Singelamente gostaria de lançar minha candidatura àquela especial academia, não de letras letradas rabiscadas.
E sim aqueloutra pra onde vou ao cair das tardes, passando rápido pela Costa Pereira, a rua onde deixei de ser menino, ao lado dos meus saudosos pais, brincando de pique esconde com meus amiguinhos dessa mesma rua. Frequentando esse mesmo clube, da minha idade, o querido LTC.