Apenas Apena

Apenas indica quase um para. Para depois reiniciar a frase interrompida.

Tem por sinonímias só. Simplesmente. Exclusivamente. Meramente. Não mais que. Unicamente. E outros mais.

Ou se diz que esse advérbio de uma maneira exclusiva exclui os demais. Não deixando deixas para inserir algo mais.

Como conjunção expressa: assim que. Mal. Assim que a aula acabou, foi-se embora.

Parece apenas ou tão somente uma palavra que nos soa consistente um respiro. Para que a frase não se alongue demais. Pois eu, acostumado a ter um folego de gatos corredores ou saltadores não me importava em escrever uma crônica inteira quase sem pontuação. E os leitores reclamavam dela. E eu, por influência de meu sábio revisor, o professor Russi, acabei por escrevinhar frases curtas a partir de então.

Já vi artistas, fazedores de artes, em suas incontáveis manifestações.

Tanto na arte da palavra escrita. Quanto nas pinturas onde o pintor retrata naturezas mortas ou vivas. Assim como no canto lírico ou noutro qualquer.

Imagino Michelangelo em sua obra notável do teto da capela sistina pintando. Dependurado a um andaime qualquer. De ponta cabeça. Seria este exatamente seu nome de batismo? Ou foi um apelido dado por algum admirador nele pregado. Que passou a identificá-lo até a sua morte.  Que se deu em 18 de fevereiro de 1564 na mesma Roma onde sempre viveu.

Nomes artísticos são comuns entre todos eles. Talvez insatisfeitos com os verdadeiros.

Entre tantos cito? O do grande três pontasseizense, o qual já se aposentou da música. O inigualável Milton Nascimento também é reconhecido por Bituca. Não sei qual o verdadeiro nome da grande Elza Soares. A grande musa do futebolista de pernas tortas. Nascido em Pau Grande. Não carece repetir seu nome. Pois se trata do velho ponta direita. Falecido prematuramente- Garrincha.

E por aí e por aqui vamos indo dando nomes fictícios aos bois.

Ontem. Filando almoço na casa de minha filhota Bárbara. Festeira como ela só. A ocasião ensejava uma celebração pra lá de importante. Já que a minha Rosa não flor aumentaria a sua idade em mais um ano. E podem dizer que ela não parece tantos.

Realizaram uma festa surpresa. A qual nem eu mesmo não sabia.

Chegamos ao condomínio Mont Serrat impontualmente a hora marcada. Os parabéns nem haviam começado.

Era pra mim cedo para almoçar aquela hora. Mas naquela casa magnífica crianças famintas abriam as boquinhas de fome.

E que churrasco apetitoso nos serviam antes das doze horas. Petiscos vários eram servidos acompanhados por chopes estupidamente gelados.

E ainda por cima o almoço estava fumegando no novíssimo fogão a gás.

Passaram-se horas vazias. E eu não mais faminto me deliciava com uma cantora afinadíssima.

E que vozinha maviosa se ouvia. Acompanhada de um violão não menos afinado.

Sob os olhares gulosos de seu namorado Apena se apresentava. Era quase um rouxinol entoando várias melodias melosas.

De olhos grudados naquela linda garota quase não respirava. Arfava de amor e encantamento.

Passamos horas intermináveis assistindo ao show da cantante Apena. Não me digam que olvidei o s na Apena. Elazinha misturava vários tipos de canções. Lindas como sua voz de cotovia.

Pela Apena me deslumbrei. Foi. Ao final da cantoria que a ela perguntei seu verdadeiro nome de batismo. Ela, com seus olhinhos verdes me respondeu apenas isso: “meu nome de verdade é Maria Clara- Clarinha para os íntimos.

Pra mim seu nome artístico não deixa de ser apenas Apena. E sim Maria Clara. Uma linda menina mulher. Que não apenas canta como encanta a cada um de nós.

 

 

 

 

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