Seria possível ? Se não faça!

Hoje, finados, segundo dia de novembro.
Como sempre em disputa com os travesseiros, pobres coitados, esses dois enfronhados.
Cada um do meu lado, como se fossem dois amores com os quais tento dormir a eles abraçadinho. Mas não me atrevo a beijá-los. Se o fizesse não sei o que seria das suas fronhas. Iriam acordar abantonzadas. Como se não uso batom?
Como estou apartado há apenas alguns meses. As bocas falantes vão dizer que nem esperei um tempinho pra me ajuntar a outrazinha.
Já que nesses tempos bicudos, quase ano findo. Não querendo ser profeta do apocalipse. Espero que minhas previsões não se concretizem no ano vindouro.
Que ao revés de faltar comida na mesa dos brasileiros nela abunde bastante arroz com feijão.
Batata frita pras crianças. Cerveja gelada para os apreciadores. Bons vinhos e uísque escocês legítimo pros entendedores.
Ano quase assoprando as velinhas pra dar começo a dois mil e vinte e sete.
Quase pra completar, em sete de dezembro perto, setenta e sete.
Nesse lindo dia de finados não fugi a minha rotina.
Saí do meu novo apartamento uma horinha mais tarde.
O relógio da praça perto da igrejinha do Colégio de Lourdes mostrava cinco e vinte mais oito.
Noutra praça, onde mora a Tipuana. O amor estava no ar pousado nas asas de pombos.
Não sei dizer se pomba dá cio. Se ela aceita a monta do pombo macho como uma égua pisca a perseguida quando deseja ser montada pelo cavalo inteiro.
O fato é que vi algumas pombinhas sendo cortejadas sem serem bicadas por pombos.
Eles ou elas arrulham quando prestes a serem montadas como galinhas e galos.
Querem coisa mais bonita que o amor?
Um casalzinho, o rapazinho andando a fim de encontrar a tampinha de sua panelinha no sentido horário no rela do jardim.
A mocinha pudica e virginal, não somente no signo. Como também no seu lacre não violado ( se violado adeus viola!).
Quando seus olhinhos se cruzam, suas mãos se tocam. A mocinha aceita a corte (essa corte tem acento no e ou não?)
Os dois passam a andar de mãozinhas dadas no sentido comum. Um juntinho ao outro até dar casamento ou ajuntamento ( bem melhor o segundo. Fica mais barato a hora da separação).
A pergunta por mim feita no título qual foi?
Seria possível? Factível, viável, ou não?
Pra mim a impossibilidade não existe.
A gente pode fazer o impossível passar a ser possível dentro das possibilidades.
Se as coisas vão de mal a pior não pode ficar.
Com jeito vai. Se não consertar o telhado as goteiras cairão.
Se você não tomar jeito vai continuar desajeitado seu sem juízo.
Pra que ter juízo? Se nesses meus setenta, quase sete, não tomei, não irei tomar jamais.
Como desenvelhecer? Andar anos atrás e não à frente?
Deixar os cabelos brancos, a calva, as rugas, olheiras, aquele andar trôpego, tudo que o velho assina. Antes de ir acompanhado, dentro do caixão ao cemitério.
Voltar a ter melenas topetudas, aquele olhar viçoso, bom enxergador. Como eu era dantes. Voltar a gostar das meninas e elas não me repreenderem dizendo. Quando, numa cantada eu a elas disser: “que coisa mais linda e mais cheia de graça. Aonde você vai menina? Me leva junto, do seu ladinho? Se você pensa que estou muito velho pra te namorar veja minha conta bancária. Ela está no negativo muito negativada. A garota que se dizia não fazer programa por grana me limpou. Agora, se quiseres ficar comigo vai ter de ser por amor”.
Não carece dizer que a tal garota me disse não. Pra mim não é não! Até a próxima cantada.
Seria possível voltar à juventude?
Retrocedermos aos dezoito, menos anos?
E voltar a ser criança, aos cinco quando aqui cheguei vindo de Boa Esperança?
Já lhes darei a receita do meu bolo.
Já experimentaram se apaixonar?
Dantes gostaria de fazer distinção entre duas palavras de conteúdo quase símile mas distintas em significado.
Ambas são palavras muito distintas.
Amor e paixão.
Amor não desaparece à mercê quando se mostram celulites, rugas, gordurinhas mal e bem localizadas. Ele continua na maior idade e nem a vaidade dá conta de a ele sepultar.
Aquela paixão avassaladora, como um tsunami faz da praia um monte de areia suja cheia de detritos trazidos pelo mar revolto.
Quando de encontro a ela, como os pombinhos que hoje cedinho vi o pombo montando na pomba. Arrulhando numa cantada que deu certo na corte da sua pombinha.
Sexo, quando existe amor, junto a sua aliada paixão. Quando os lábios se tocam num beijo gostoso com entrecruzar de línguas.
Que sabor amorrrr ( com muitos erres sim) de verdade tem.
É perfeitamente exequível voltar à juventude. Por que não á infância, a fase adulta mesmo não sendo adúlteros.
Qual o segredo? Qual o conselho que lhe dou?
Apaixonem-se, enamorem-se. Diga a ela, ou a ele, se for o caso.
“Te amo com todas as forças dos batimentos do meu coração.
Se ele parar de bater vou continuar te amando até o próximo dia de finados.
Eternamente, se possível for”.

Deixe uma resposta